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O dia depois das eleições

Publicado: 4 de outubro de 2010 em Palavras

Nas ruas, os candidatos cumprimentavam a todos e sorriam por um Brasil melhor. Todos os vencedores mostraram boas propostas, disseram ser a favor das leis, a favor da democracia. Nas propagandas eleitorais, os políticos foram honestos. Honestidade essa que vimos no Tiririca, com “Se você votar em mim, eu vou me eleger”. Não há do que reclamar. Políticos como Valdemar Costa Neto (PR) e Renan Calheiros (PMDB) se elegeram. Merecido, fizeram muito pelo Brasil! Todos os candidatos foram merecidamente eleitos, sem excessões.

Agora é sério:

Não há como fugir, o grande papo de hoje é a eleição. O Brasil acordou nessa segunda-feira de ressaca da grande “festa da democracia”, que é uma grande festa a fantasia, onde as fantasias vencedoras são as de palhaço. Graças a ausência da Lei Seca eleitoral, pelo menos em São Paulo, pude desfrutar (lê-se “encher a cara”) de cerveja e não liguei muito para a apuração ontem, mas hoje…

Vi um senhor com seus 70 anos falando que ainda tem esperanças de uma política honesta no Brasil. Ele, com 70 anos, diz isso. Eu, com 19, digo que tenho esperanças de aprender a dar nó na corda para me enforcar.

Comente, senta o dedo nessa porra!

Publicado: 20 de setembro de 2010 em Palavras

Semana que vem, semana que vai. Cada dia mais ocupado, coisas da vida, ou não. Quando acho que estudar é perda de tempo, também acho que perda de tempo é não estudar. Ainda estou muito confuso com essa nova vida universitária, ainda mais quando as coisas apertam e o único tempo que sobra do meu dia eu uso para ler Weber. Claro, fora as responsabilidades curriculares tenho as extras. Devo admitir, estou cansado. Quando tenho muita coisa para fazer, fico cansado. Quando tenho nada para fazer, sei que vou ter logo mais e fico cansado. Haja cansaço, não? Preciso descansar, mas em um lugar onde ninguém possa me achar. Alguém tem uma ilha desabitada aí?

Aos meus companheiros, ratos.

Publicado: 14 de setembro de 2010 em Palavras

“Espero que vocês ratos aprendam a ler, algum dia, e entendam o que escreverei aqui.

Jogado na sarjeta, a luz da Lua me arde mais do que a do Sol, me força a pensar em tudo o que poderia ter sido diferente. Mas não adianta, não adianta. Chorar sobre a poça de água suja, olhando a minha face igualmente suja e judiada pela selva de pedra. Os únicos donos da minha confiança são vocês, que me deixam pensar em paz e ainda me honram com a quebra do silêncio que me atinge como um punhal no peito, apenas remexendo o lixo que se encontra ao meu lado. Com as pernas cobertas por jornais, passo noites em claro pensando e escrevendo frases na minha mente.

Vocês observam que nada me distingue do homem que passou ao meu lado, bem vestido. Ele pensa, eu penso. Ele respira, eu respiro. Ele ama, eu amo. O que nos distingue é a oportunidade, aquela que abriu a porta da humilhação e me jogou aos leões. Ah, se eu tivesse um violão, eu o tocaria para vocês para saberem o quanto são importantes para mim. Assim, pelo menos, eu ganharia a admiração de alguém, por mais animal e sujo que seja. Aliás, ao mesmo tempo que nada me distingue dos homens para vocês, nada me distingue de vocês para os homens. Sou visto como um animal sujo, que revira o lixo. E vocês? Animais sujos que reviram o lixo. Acho que está tudo invertido nesse mundo, e o “Mundo dos Ratos” me faz mais sentido. Obrigado pela bela companhia, companheiros! E quando chegarem no momento em que seus inimigos forem seus semelhantes, escrevam para o futuro, como eu escrevi.”

(Achado pelos ratos 6.200 anos depois).

Um dia, em época de eleição.

Publicado: 8 de setembro de 2010 em Palavras

Recém chegado do trabalho, estava frio e as trombetas anunciavam uma gripe que ameaçava a minha frágil saúde. Minha filha me fazia companhia, minha falecida esposa me fazia falta. Entediado pela falta de recursos, a unica saída era sentar e assistir à televisão, pois ali eu não pensava e esquecia dos meus problemas.

Era hora do jornal da noite, haveria uma matéria sobre eleição naquele momento. Não gostava de política, mas como a minha televisão era velha e não desfrutava de controle remoto, deixei naquele canal por me faltar energias para a árdua tarefa de levantar dali e dar quatro passos, dois rumo à televisão e dois rumo ao sofá. Começou a matéria. Dois candidatos à presidência da república discutiam sobre questões pessoais, pareciam esquecer que estavam lá para atender às necessidades do povo como a fome, a saúde e inúmeras outras dificuldades das quais participo no meu cotidiano, infelizmente. A acusação era recíproca, envolvia a família de um, o partido do outro. Peguei-me pensando – coisa que eu evitava fazer diante da televisão – e aí foi quando a minha filhinha, da cozinha, gritou: “Papai, estou com fome e acabou a comida!”.

Fábio Armelin.

Sobre ela…

Publicado: 24 de agosto de 2010 em Palavras

Eu penso nela

Penso nela sempre

Não sei se gosto dela

Não sei se ela

Pensa em mim

Mas ela me intriga

E me inquieta

Traz esperanças

Traz tristezas

Ela dá para alguns

Não dá para outros

Mas ainda repousa

Inerte aos braços

De muitos homens

Oh,

Imprevisível

Política.

¿Y tu qué has hecho?

Publicado: 23 de agosto de 2010 em Palavras

“En el tronco de un árbol una niña
Grabo su nombre henchida de placer
Y él árbol conmovido allá en su seno
A la niña una flor dejó caer.

Yo soy el árbol conmovido y triste
Tu eres la niña que mi tronco hirió
Yo guardo siempre tu querido nombre
¿Y tú, qué has hecho de mi pobre flor?”

Buena Vista Social Club.

Abri o blog com essa letra desse grupo musical cubano. Famoso, aliás. Vocês devem estar se perguntando sobre o título e a música em espanhol. Nenhum em especial. Creio que vocês entendam o significado do título e entendam, ao menos, a mensagem dessa letra por ser uma língua muito parecida com o português.

Obrigado e sejam bem vindos.